Esqueça a
crise por um momento. Exclua também os problemas de cortes de gastos e
justas-causas – ações antiéticas como roubos, por exemplo. O que leva um
funcionário a ser dispensado? Que aspectos comportamentais podem ser
decisivos para a decisão de mandar alguém embora?
PERDER O
ENCANTO
“Emprego tem prazo de validade. Se você
acorda todos os dias e pensa que não gostaria de ter que acordar para ir
até o seu emprego, seus superiores vão perceber isso”, E isso pode ter
vários motivos, desde desvalorização até a ausência de novos desafios, mas
deve partir do colaborador mostrar interesse em ser desafiado.
“Se
vê muitas pessoas que, quando são demitidas por isso, colocam a empresa
como culpada. É função dela, sim, valorizar e possibilitar o crescimento
profissional dos funcionários. Mas é também função do funcionário, mostrar
que ele tem disposição e vontade de algo mais”.
FALTA DE INVESTIMENTOS NA
CARREIRA
Nenhuma empresa gosta de profissionais
acomodados. “E não falamos só de formação acadêmica. Você não precisa ser
PhD na sua área de atuação para mostrar que se interessa, que busca
informações”. “Buscar informações, ler materiais especializados, buscar
novas ideias e conceitos e tentar aplicá-los a realidade a sua volta é
essencial”.
Saber das movimentações do mercado – o que os
concorrentes estão fazendo, por exemplo – e, mais, buscar ler os fatos e
transmiti-los para a realidade das empresas é uma das dicas. “A crise é um
ótimo exemplo. Você sabe como ela vai afetar os negócios da empresa onde
você opera?”São coisas pequenas, mas que podem fazer toda a diferença
quando a empresa busca um profissional ágil, ligado com o que está
acontecendo a sua volta”, complementa.
É fácil perceber quem tem
esse tipo de preocupação dentro de uma companhia. E também é fácil ver
quem não tem.
NÃO BUSCAR O
FEEDBACK
A prática do feedback está crescendo nas
companhias. Muitas delas estão adotando a ferramenta como forma de
incentivar uma avaliação por parte dos funcionários e aumentar a
produtividade. Mesmo para as empresas que não têm essa prática, é
fundamental que o profissional busque saber quais são suas principais
características que precisam ser desenvolvidas.
“Um dos pecados
para os funcionários é não buscar saber no que ele pode melhorar. O
feedback, mesmo que informal, também é de interesse dele. Não demonstrar
que quer evoluir, corrigir os erros, é um dos motivos que levam muitos
bons profissionais a demissão”.
TER UMA SÓ FUNÇÃO
“Os
bons profissionais hoje são multifuncionais. Mesmo nas áreas técnicas, é
muito difícil as empresas bancarem um profissional que só atende por uma
função”. Ter conhecimento sobre o funcionamento das outras áreas e poder
ajudar em caso de qualquer eventualidade é um fator que pode manter um
emprego.
A multifuncionalidade com o exemplo da área de
Recursos Humanos. “Um profissional de RH dentro de uma empresa geralmente
trabalha com recrutamento, seleção, treinamento, integração e
desenvolvimento humano. São várias funções diferentes e saber fazer tudo
de forma eficiente é um diferencial”.
RELAÇÕES DE PODER
Neste
tópico em maturidade profissional. “O funcionário precisa saber em que
momento e de que forma pode tomar decisões com autonomia ou apresentar
visões que confrontem as de sua chefia direta”, destaca. “Por mais
competência que tenha, se ele não tiver humildade para esperar a
oportunidade certa para falar ou confrontar alguma decisão já tomada pelos
que comandam o trabalho dele, será descartado”, complementa.
A
imaturidade pode levar a desgastes. “Não se pode invadir o espaço de
alguém que está acima de você. Não necessariamente se precisa concordar
com tudo. Mas saber explicar, com calma e sem tom de ameaça é mais que
necessário para manter-se num emprego”.
BOAS TEORIAS, NEM TÃO BOAS NA
PRÁTICA
Um dos motivos que levam muitos
funcionários a demissão são os projetos e programas sofisticados demais
para uma realidade que pode ser bem mais simples. “Há muito bons
profissionais, com uma formação acadêmica a teórica muito boa, que acabam
não entendendo a realidade da empresa e apresentando propostas muito
sofisticadas, que não atendem às necessidades práticas que existem nas
companhias”.
“São pessoas muito inteligentes em planejamento, mas
que não conseguem conceber projetos que caibam nas necessidades da empresa
onde trabalham” e que esse tipo de profissional gera muitas expectativas
que não são cumpridas, e acabam sendo desligadas por isso.
Outro
erro comum nos profissionais com essa dificuldade é prometer grandes
mudanças, esquecendo que não se faz nada sozinho dentro de uma
organização. “Não existe salvador da pátria. Não se meta a ser um”.
NÃO SABER TRABALHAR
EM EQUIPE
Giovanna antecipa: timidez não é desculpa para não
participar ativamente de atividades em grupo. “Ter um bom relacionamento
interpessoal não é ser o mais extrovertido ou falante”, pondera. “Você não
precisa ser quem fala. Pode ser quem pensa. O importante é participar”,
complementa.
Demonstrar desinteresse por projetos ou questões que
sejam desenvolvidas e decididas em equipe pode ser um fator que leva a
demissão. “Mesmo se você for um bom profissional com excelentes ideias,
você precisa saber expor e defender perante ao grupo, sem ofensas ou
problemas”, finaliza Giovana.
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