A concessão de benefícios tem sido apontada como um dos fatores que atrai e retém talentos no meio corporativo. Dentro do contexto organizacional, há ainda organizações que trabalham com uma política unilateral, ou seja, quando os profissionais reivindicam quase sempre aumento salarial. Por outro lado, existem empresas que seguem uma tendência voltada para satisfazer as necessidades dos colaboradores que envolvem aspectos sociais, de auto-estima e auto-realização. É justamente nesse momento que entram em cena cestas de benefícios atraentes que incluem, entre outros, plano de saúde e odontológico, auxílio funeral, seguro e vida, empréstimos, planos de aposentadoria complementar e até mesmo ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida no trabalho, No entanto, não é tão simples implantar um pacote de benefícios. Antes de qualquer ação efetiva, é preciso conhecer a realidade dos funcionários, bem como suas necessidades.
Para isso, nada mais indicado do que fazer uma pesquisa no mercado e, é claro, ouvir a opinião dos profissionais. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Lise Steigleder Chaves, mestre em administração de empresas e sócia fundadora da CC&G Gestão de Pessoas, afirma que os benefícios por si não retêm os talentos.
“Na minha opinião, o que mais retém os profissionais de alto desempenho, por exemplo, são os desafios e as oportunidades de contribuição e reconhecimento’, afirma. Além disso, ela faz algumas considerações interessantes sobre a concessão de benefícios e como a área de RH deve trabalhar essa questão, para que tempo e investimentos não sejam jogados “no lixo”.
As pessoas têm preocupações diferentes em diferentes fases da vida. Um jovem, por exemplo, investe na sua formação e na construção de sua carreira. Então, ele tende a querer uma empresa que oferte cursos, viagens e missões técnicas. Um profissional em meio de carreira já pensa mais em expatriação, promoção ou na sua futura aposentadoria, se motivará mais por uma empresa que ofereça este tipo de benefício. Entretanto, a briga por talentos tende a se tornar mais acirrada o que leva à adoção de políticas mais agressivas, como luvas, stock options, prêmios especiais por metas. A atenção dos profissionais se dá pelos desafios e pelo nome que a empresa tem no mercado.
Os salários sofrem descontos e tributações significativas e os benefícios chegam limpos ao profissional, além de atenderem demandas que quando adquiridos individualmente têm um custo muito alto. Não podemos esquecer que um pacote de benefícios agressivo, por exemplo, pode ter um impacto no custo de vida de um profissional muito grande.
Os benefícios Atraem talentos quase sempre, mas retêm quando o profissional já está numa determinada fase de vida. Um jovem, sem vínculos familiares tem mais mobilidade que alguém com família. De um modo geral, o que mais retém os profissionais de alto desempenho são os desafios e as oportunidades de contribuição e reconhecimento.
Oferecer uma cesta de benefícios variáveis é um diferencial atrativo para as empresas que adquirem certos benefícios fiscais e os funcionários contam um composto salarial muito melhor sem o ônus tributário.
Os benefícios variáveis são indicados para qualquer organização.A empresa pode ter programas de benefícios variáveis desde que bem definidos e atrelados a determinados fatores claros, uma vez que tirar benefícios de alguém, em função da nossa legislação trabalhista é muito difícil. Outro aspecto legal que deve ser observado é o paradigma e em função disso, os benefícios diferentes para pessoas que ocupam o mesmo cargo ou função devem ser atrelados à produtividade, ao desempenho ou a outros critérios claramente mensuráveis.
O primeiro passo que uma organização deve tomar, ao implantar um pacote de benefícios para os profissionais é saber se o benefício tem um caráter social ou motivacional. No primeiro caso, temos benefícios sociais que se estendem a uma massa de trabalhadores, como vale transporte e alimentação - que deverão ser melhorados sempre que as queixas forem repetidas sob pena de gerarem insatisfação. Ou seja, a empresa oferece um canal de atendimento que é ofertado pelo estado de forma precário ou não é ofertado. Se o objetivo é motivacional, a organização deverá ter cardápios de benefícios pode ser muito mais interessante, pois dará aos trabalhadores a condição de atenderem demandas específicas e aí sim atendem suas necessidades. Claro que aqui há um limite até porque a empresa não tem como fim administrar especificidades, mas é possível estruturar opções diversas em pequenos pacotes.
A organização precisa ter algumas precauções ao adotar um pacote de benefícios. O entendimento e a interpretação da legislação deve permear todo o processo, as condições de oferta contínua daquele benefício - custos, facilidade, pertinência, interesse, oferta do benefício na comunidade, concorrência, melhores práticas.
Ao se implantar benefícios, a empresa possui muitas vantagens como: o fato de não terem que lidar com queixas e demandas não atendidas em um volume algumas vezes grande. Não ter que atender exceções, satisfação dos funcionários ou pelo menos a não insatisfação dos profissionais e, por fim, ter controle na administração de custos. Nesse último caso, a negociação com fornecedores torna-se muito mais fácil.
Oferece desvantagem também, se os benefícios oferecidos estiverem descolados das necessidades das pessoas. Podemos citar como exemplo: quando a empresa oferece uma colônia de férias - distante da sua sede com um grau de conforto que beira a sofisticação e, isso, para uma organização de dois mil trabalhadores operacionais e meia dúzia de gerentes. Para quem é o benefício? O trabalhador desloca-se como? Como ele se comporta em um ambiente desses? A tendência é gerar mais estresse do que satisfação. Outro exemplo que podemos citar é quando presenciamos um operário receber apavorado quando recebe como prêmio uma viagem ao Rio de Janeiro e ele constrangidamente pergunta se não podia trocar a viagem por material de construção, porque estava construindo sua casa. Benefícios para além daqueles que são padronizados devem ser avaliados e testados antes de serem aplicados e nesse aspecto, nada como a opinião de quem vai usufruir, ou seja, os profissionais.
Patricia Bispo
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