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   Os grandes desafios e vitórias
   publicado em 14.05.2007

A profissão contábil tem crescido no Brasil em meio a crises e oportunidades, sendo hoje a razão de ser de 65 mil empresas, um número expressivo e que demonstra, por si só, a superação de muitos obstáculos.
Um deles foi a criação dos chamados regimes de tributação simplificada, inegavelmente importantes por retirar um número considerável de empreendedores da informalidade, mas que acabaram motivando a falsa idéia de que seria dispensável a manutenção de uma contabilidade estruturada, dependendo do porte e do enquadramento tributário de uma organização.
Tal argumento mostrou-se incoerente de saída, pois contabilizar o dia-a-dia de um negócio constitui exigência histórica do Código Comercial Brasileiro, hoje também presente no Civil. Não resiste, tampouco, a uma análise lógica da importância dos controles para a gestão da empresa, seu planejamento e desenvolvimento.
Igualmente desafiador tem sido o aumento excessivo das chamadas obrigações acessórias, criadas com o objetivo de controlar melhor a infinidade de impostos e contribuições vigentes.
O subproduto disso foi o surgimento de uma imagem excessivamente burocrática da contabilidade, afugentando muitos jovens da profissão, por considerá-la demasiado complexa e estressante em comparação a outras áreas.
Voltando ao raciocínio do início, porém, são justamente os momentos críticos que acabam motivando as grandes soluções, e essa regra, felizmente, tem prevalecido no setor.
Afinal, diante da informatização crescente dos órgãos de arrecadação e controle em todos os níveis da administração pública, não restou alternativa senão aderir, também em grande escala, ao mundo da tecnologia da informação, aspecto que tem contribuído para capacitar e, conseqüentemente, tornar o segmento mais valorizado.
Com isso, as empresas de serviços contábeis foram deixando a condição de meras executoras de tarefas repetitivas para assumir, em plenitude, sua vocação de consultoria e co-participante da evolução e sucesso de seus contratantes. Ao mesmo tempo, a antiga crença na impunidade começa a ceder espaço à conscientização crescente do empresariado, de uma forma geral, quanto aos riscos assumidos ao trabalhar irregularmente ou tratando sem a devida importância o seu planejamento tributário.
Com a Nota Fiscal Eletrônica, o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), e uma série de outros instrumentos que costumamos denominar de Radar Eletrônico, entre tantas outras inovações recentes, essa tendência deve se acentuar, valorizando mais ainda a contabilidade, em decorrência do enorme poder de cruzar dados e detectar distorções que o Fisco veio acumulando.
Do outro lado do guichê, a proliferação dos sistemas de gestão também favoreceu o surgimento de uma nova ordem, marcada pelo tratamento das informações contábeis e fiscais a partir de uma única entrada de dados, abastecendo de forma automática os diversos setores estratégicos ligados à gestão.
Embora o contabilista já tenha assimilado boa parte de todo esse avanço, ainda existe uma dificuldade muito grande entre as empresas, tanto as da área quanto as que utilizam os seus serviços, sobretudo nas estruturas de pequeno e médio portes, muitas delas ainda relutantes em absorver a chamada revolução tecnológica para substituir rotinas compartimentadas, redundantes e sujeitas a erros.
Trata-se, portanto, de uma postura incoerente e que precisa ser revista urgentemente, face à necessidade de a empresa contábil estar totalmente conectada ao seu cliente e com a velocidade exigida pela economia global. Mais ainda num País como o nosso, onde quase tudo que envolve tributos ocorre em tempo real, pelo menos em matéria de cobrança e fiscalização.
Formação continuada
Foi justamente por entender a importância inconteste do constante aprimoramento da área que o Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias e Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP) lançou, em 2004, o Programa de Qualidade de Empresas Contábeis (PQEC), idealizado para incentivar as boas práticas e promover a formação continuada dos que atuam no setor.
Além de premiar as empresas competentes e divulgar junto ao mercado e a sociedade o quanto é importante a qualidade na área, a iniciativa tem funcionado como um forte incentivo para os profissionais da contabilidade, significando também um importante diferencial competitivo para as empresas certificadas.
Mais de 300 certificados já foram entregues pelo Programa, cuja primeira etapa é uma ampla análise do perfil das candidatas, na qual pesam fatores como idoneidade, infra-estrutura e métodos operacionais. Depois, seus colaboradores e dirigentes passam por uma série de atividades, durante a qual acumulam pontos em decorrência de cursos, palestras e workshops presenciados.
Uma vez conquistado, o certificado pode se renovar periodicamente, mediante nova contagem de pontos. Recentemente, mais um grupo de empresas recebeu a certificação, e as inscrições para um novo ciclo de atividades do PQEC já foram iniciadas.
Com certeza, no Dia do Contabilista de 2008, um número maior de empresas e de profissionais terá um bom motivo extra para ter orgulho e comemorar sua participação numa atividade cada dia mais estratégica para o sucesso de todo tipo de organização.

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