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Com alta de imposto, governo compensou extinção da CPMF publicado em 27/09/2011
Maior responsável pela recuperação do caixa foi o IOF, que voltou a
subir em 2011 para conter a valorização do real
Gustavo Patu
Três expedientes usados pelo governo para compensar parcialmente a
extinção da CPMF acabaram por permitir que a receita da União, hoje, supere a de
2007, último ano da cobrança sobre movimentação financeira. De lá para cá,
foram elevadas as alÃquotas do Imposto sobre Operações Financeiras e da
Contribuição Social sobre o Lucro LÃquido, além das parcelas dos lucros das
empresas estatais repassadas ao Tesouro Nacional. Uma análise das projeções
do Orçamento deste ano mostra que a arrecadação conjunta dessas fontes deverá
chegar ao menos a R$ 101,3 bilhões, equivalentes a 2,5% do Produto Interno
Bruto, ou seja, da renda nacional. Há apenas quatro anos, IOF, CSLL e
dividendos das estatais não rendiam aos cofres da União mais do que R$ 49,5
bilhões, equivalentes a 1,9% do PIB de então. Apesar de agudo, esse aumento
não seria capaz, sozinho, de repor a perda da CPMF no Orçamento se os demais
tributos federais mantivessem o desempenho de 2007, já considerado muito
favorável na época. No entanto, a melhora da economia, com expansão de
consumo e investimentos, provocou alta generalizada das receitas federais nos
últimos anos, tornando praticamente imperceptÃvel a ausência do antigo
imposto. A arrecadação se manteve estável ao longo do segundo governo Lula e,
neste ano, deve contabilizar um salto.
RECEITA Pelas estimativas oficiais, a receita total da União deverá
somar algo entre 19,7% e 20% do PIB, já descontados os repasses obrigatórios
para Estados e municÃpios. Em 2007, com a CPMF nas contas, foram 19,3%. A
diferença entre patamares de um ano e outro é, portanto, muito similar Ã
variação da arrecadação conjunta de IOF, CSLL e dividendos. Em outras
palavras, o aumento da arrecadação dessas fontes superou o necessário para
manter constante a receita do governo como proporção da renda do paÃs. A
relação entre a receita e o PIB é particularmente importante nesse caso, porque
gastos em saúde, finalidade da extinta CPMF, são reajustados anualmente conforme
o crescimento da economia. O maior responsável pela recuperação do caixa
federal é, de longe, o IOF, que, originalmente, não tinha função arrecadatória
-trata-se, na teoria, de tributo regulador, destinado a estimular ou restringir
o volume de crédito, a entrada de dólares e outras transações
financeiras. Três dias após a extinção da CPMF, alÃquotas do IOF sobre
operações como crédito, seguros e câmbio foram elevadas em 0,38 ponto
percentual, mesma alÃquota do tributo derrubado. Já em 2008, a receita do IOF
mais que dobrou, saltando de 0,3% para 0,7% do PIB. Houve ainda ganhos
adicionais, de menor montante, depois que o imposto passou a ser elevado com a
justificativa de deter o ingresso de capital estrangeiro no Brasil e a
valorização do real. No mesmo ano, foi de 9% para 15% a alÃquota da CSLL
incidente sobre lucros dos bancos, e o governo passou a cobrar volumes
crescentes de dividendos de empresas controladas pelo Tesouro.
Fonte: Folha de S.Paulo
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